
(Este post que se segue é pura parvoíce. Qualquer semelhança com a realidade, que existirá de certeza, não é coincidência, mas também ninguém a que barbeiro me refiro. Por isso: hã, hã, hã, hã, hã, hã)
"Famila". Essa Saúde?
Fui cortar o cabelo.
Até aqui o post parece estúpido (e qual é a novidade?), mas vai melhorar. Hum e vai dai, talvez não.
Fui a um cabeleireiro.
É verdade. Um salão com gajas.
Muitos pensarão:
-"Olha para este maricas que vai a um cableireiro em vez de ir a um barbeiro."
Bom, de facto ir cortar o cabelo a um barbeiro é de macho.
Normalmente, os gajos começaram a ir ao barbeiro com o pai e tornaram-se adeptos fanáticos daquele talhante de cabelos.
Corta bem? Corta mal? Isso não importa. O que importa é que é o meu barbeiro de há 30 anos e nunca reparei nessas coisas, pensarão os mais homofóbicos.
Nestes casos de longa ligação e confiança com o cliente, as converas entre barbeiro e cliente tendem a evoluir com os anos.
Até aos 10 anos:
Barbeiro -"Então, vamos lá cortar o cabelo à homem. Agora, é que as gajas não te vão largar? E essas notas? Não mexas a cabeça, senão corto-te uma orelha...
Até aos 17:
Barbeiro - "Oh cabranaço. É para cortar o cabelo, ou os pintelhos? Já bates à punheta, ou tens quem te bata? Queres que suba as patinhas, ou ficam à foda-se?
Até aos 23:
Barbeiro - "Oh paneleirote. Como estamos de grelo? Vocês não podem pensar só em copos que elas andam doidas de fome. E o nosso Benfica que só nos dá alegrias? 5 estrelas.
A partir dos 23:
Barbeiro - "Oh sr. dr. em que posso ajuda-lo? Faz mas é como o Sócratas e senta o cú na cadeira e só sais quando eu disser. Tens comido muitas doutoras?
Sim, as conversas do barbeiro são autênticos livros de instruções sobre o comportamento que o macho deve ter. Não há uma virgula que não tenha cariz sexual, ou futebolístico, ou político, se bem que este último vem no fim e com cara de tristeza e de desânimo, chegando a deixar a barbearia sem ninguém para ir beber uma mini contigo no café do outro lado da estrada.
Esta parte até é menos má. Pior é quando vai com outro e deixa-te à porta à espera que volte e de preferência ainda em condições de cortar o cabelo a direito.
Para além das conversas, o puto é gozado quanse sempre até aos 20.
1º é gozado porque chora e faz birra
2º é gozado porque começa a ter bigode
(Esta fase é horrível. Um gajo está a tentar habituar-se às mudanças do seu corpo e o cabrão só se mete com o bigode que começa a nascer e remata perguntado se já tenho pintelhos. Please.)
Para mim, até certa altura, ir ao barbeiro era um martírio. Depois, passou a ser uma escola, onde se aprende muitas coisas.
A que mais me marcou, tinha eu 13 anos, foi quando o homem explicou-me que e passo a citar "a cona dá peidos."
Eu tinha acabado de descobrir as maravilhas da masturbação e de repente o homem surge com aquela ideia cheia de sabedoria, a qual só percebi anos mais tarde e in loco. Obrigado, Sr. X pela lição, caso contrário, teria pensado que estava a comer uma boneca insuflável e que a tinha rompido, ou aberto o pipo.
Hoje, vou ao cabeleireiro, tenho um grupo de mulheres sorridente a olhar para mim e a cumprimentarem-me.
São muito delicadas a cortar o cabelo (o cabrão do barbeiro virava-me a cabeça como um homem das cavernas, pensando que estavamos no filme "O Exorcista") e ainda lavam-me a cabeça, massajando a mesma.
A maior massagem que tive do barbeiro era quando ele me espetava com uma esponja molhada nos cornos como se fosse lavar um carro.
Quem é o maricas agora?
O que é certo e correndo o risco de ser incoerente, é que aconselho a todos os putos a irem ao barbeiro, pelo menos durante uns anos.
Enrijece o carácter do puto.
Afinal de contas o barbeiro é como o ginecologista do macho. Estabelece-se uma ligação de confiança e pouco interessa se é bom, ou caro. A ligação está criada e pouco mais importa.
Uns abrem os olhos, sobretudo quando percebem que aquele barbeiro só conhece um penteado (normalmente, à escovinha e com a risca ao lado), outros continuam a sua aprendizagem com o homem da lâmina.
Beijinhos no sítio do costume.
Almancil